Como elaborar um resumo jurídico realmente eficiente? Cinco técnicas que todo advogado deveria dominar
- 15 de jul.
- 2 min de leitura

Durante muito tempo, a qualidade de uma petição foi frequentemente associada ao seu tamanho.
Hoje, essa percepção vem mudando.
A recente alteração do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, ao prever a inclusão de um resumo nas petições iniciais das ações originárias e nos recursos dirigidos à Corte, reforça uma tendência que já vinha sendo observada: objetividade passou a ser uma habilidade essencial da advocacia.
Escrever pouco nunca significou escrever superficialmente. Pelo contrário.
Produzir uma boa síntese costuma ser uma das tarefas mais difíceis da redação jurídica.
O verdadeiro objetivo do resumo
Um resumo não é uma simples redução da petição.
Sua finalidade é permitir que o leitor compreenda rapidamente:
qual é o conflito;
qual é a questão jurídica principal;
quais fundamentos sustentam a tese;
qual providência se pretende obter.
Em poucas linhas, o julgador deve conseguir entender a essência da demanda.
Primeira técnica: identifique a tese central
Antes de começar a escrever, responda a uma pergunta simples:
Se eu tivesse apenas um minuto para explicar este processo, o que diria?
A resposta normalmente revela a tese jurídica principal.
Todo o restante será desenvolvimento.
Segunda técnica: separe fatos de argumentos
Um erro comum consiste em misturar narrativa fática com fundamentação jurídica.
Um bom resumo costuma seguir uma sequência lógica:
fatos relevantes;
questão jurídica;
fundamentos essenciais;
pedido.
Essa estrutura facilita a leitura.
Terceira técnica: elimine o que não altera a conclusão
Nem toda informação importante para a petição precisa aparecer no resumo.
Pergunte-se:
"Se eu retirar este parágrafo, o leitor deixará de compreender a controvérsia?"
Se a resposta for negativa, provavelmente a informação pode permanecer apenas no corpo da peça.
Quarta técnica: escreva de forma objetiva
Objetividade não significa empobrecimento técnico.
Significa escolher as palavras certas. Prefira frases curtas. Evite repetições. Utilize linguagem direta.
Um resumo eficiente privilegia clareza.
Quinta técnica: revise pensando no julgador
Após concluir o texto, faça um último exercício.
Imagine que você nunca leu aquele processo.
O resumo permite compreender:
quem são as partes?
qual é o problema?
qual é a tese?
qual é o pedido?
Se alguma dessas respostas permanecer obscura, ainda há espaço para aperfeiçoamento.
A objetividade como vantagem competitiva
Em um cenário de crescente volume processual e intensa utilização de tecnologia, petições organizadas e resumos bem estruturados tendem a facilitar a compreensão da controvérsia.
Mais do que atender a uma exigência formal, desenvolver essa habilidade representa um diferencial profissional.
Conclusão
Escrever um bom resumo não significa dizer menos. Significa dizer exatamente o necessário.
A advocacia contemporânea exige profundidade, mas também capacidade de síntese.
Talvez uma das maiores virtudes do advogado moderno seja transformar processos complexos em explicações simples, claras e juridicamente precisas.
Em meus áureos tempos de Arcadas, o Professor Kazuo Watanabe professava esse entendimento: apenas o essencial para que o julgador compreenda a demanda. Nesse caso, o menos sempre é mais!
Maria Cristina Neubern Prado
Advogada – Neubern Advocacia




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