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Comitê Gestor do IBS: o novo protagonista do contencioso tributário?

  • 23 de jun.
  • 2 min de leitura

A Reforma Tributária promete simplificar a tributação sobre o consumo no Brasil.


Mas, ao lado da simplificação, surge uma nova figura institucional que poderá desempenhar papel central no futuro do sistema tributário brasileiro: o Comitê Gestor do IBS.


Embora grande parte dos debates tenha se concentrado nas alíquotas, nos créditos e na transição, uma questão começa a ganhar relevância: O Comitê Gestor do IBS poderá se tornar o novo protagonista do contencioso tributário?


O que é o Comitê Gestor?

O IBS será um tributo compartilhado entre Estados e Municípios.


Para administrar esse sistema nacional, a Reforma Tributária criou o Comitê Gestor do IBS.


Entre suas atribuições estão:

  • arrecadação do tributo;

  • compensação de créditos;

  • distribuição das receitas;

  • uniformização de procedimentos;

  • gestão operacional do sistema.


Trata-se de uma estrutura inédita no federalismo fiscal brasileiro.


A busca pela uniformidade

Um dos objetivos do Comitê Gestor é reduzir divergências interpretativas entre os entes federativos.


Em tese, isso poderá diminuir conflitos relacionados à aplicação das normas tributárias.


A uniformidade é um dos pilares da Reforma.


Entretanto, a centralização de decisões também gera novos desafios.


Onde poderão surgir os conflitos?

A experiência demonstra que toda estrutura administrativa com poderes relevantes tende a produzir decisões passíveis de questionamento.


Entre os temas que poderão gerar controvérsias estão:

  • reconhecimento de créditos;

  • compensações tributárias;

  • critérios de distribuição de receitas;

  • interpretação de normas complementares;

  • procedimentos operacionais;

  • compartilhamento de informações.


Em outras palavras, algumas disputas que hoje envolvem Estados ou Municípios poderão, no futuro, ter o Comitê Gestor como principal foco.


Menos conflitos ou novos conflitos?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.


A Reforma Tributária poderá reduzir parte da litigiosidade decorrente da multiplicidade de legislações estaduais e municipais.


Por outro lado, poderá concentrar discussões em torno das decisões e procedimentos do Comitê Gestor.


O contencioso não necessariamente desaparecerá.


Ele poderá apenas mudar de endereço.


O desafio da legitimidade

Outro aspecto relevante será a construção da legitimidade institucional do Comitê.


Quanto maior a previsibilidade, a transparência e a segurança jurídica de suas decisões, menor será a tendência à judicialização.


A confiança dos contribuintes será um fator determinante para o sucesso do novo modelo.


Conclusão

O Comitê Gestor do IBS nasce com a missão de simplificar a administração do principal tributo sobre o consumo do país.


Mas sua atuação também poderá influenciar diretamente o futuro do contencioso tributário brasileiro.


Talvez uma das grandes questões da próxima década não seja apenas como funcionará o IBS. Mas como funcionarão as decisões de quem administrará esse novo sistema.


Maria Cristina Neubern Prado

Advogada – Neubern Advocacia

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