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O Comitê Gestor do IBS será o novo centro da administração tributária brasileira?

29 de jul.
2 min de leitura


A Reforma Tributária costuma ser lembrada pela criação do IBS, da CBS e do Imposto Seletivo. No entanto, uma de suas maiores inovações talvez não seja um novo tributo, mas a criação de um novo modelo de administração tributária.


No centro desse modelo está o Comitê Gestor do IBS, órgão que exercerá papel decisivo na arrecadação, administração e distribuição do imposto compartilhado entre Estados, Distrito Federal e Municípios.


Mais do que um órgão administrativo, o Comitê Gestor representa uma profunda mudança na forma como o federalismo fiscal brasileiro será exercido.


Uma inovação institucional

Durante décadas, cada Estado administrou o ICMS e cada Município administrou o ISS segundo suas próprias normas, procedimentos e sistemas de fiscalização.


Esse modelo produziu enorme complexidade, milhares de obrigações acessórias e frequentes conflitos interpretativos.


Com a criação do IBS, a lógica muda completamente.


Embora a arrecadação continue pertencendo aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, sua administração passa a ser compartilhada por meio do Comitê Gestor.


É uma experiência inédita no Direito Tributário brasileiro.


Quais serão suas principais atribuições?

Entre suas competências destacam-se:

  • coordenar a administração do IBS;

  • promover a arrecadação do imposto;

  • realizar a compensação de créditos;

  • distribuir automaticamente as receitas entre os entes federativos;

  • uniformizar procedimentos administrativos;

  • editar normas operacionais;

  • integrar sistemas eletrônicos de fiscalização.


Na prática, milhões de operações econômicas passarão diariamente por uma estrutura nacional de gestão.


O impacto para contribuintes e empresas

Para quem empreende, a expectativa é de um ambiente mais uniforme e previsível.


A tendência é reduzir divergências de interpretação, simplificar procedimentos e diminuir custos de conformidade.


Naturalmente, a transição exigirá adaptações tecnológicas e mudanças de processos internos.


Mas a proposta da Reforma é substituir milhares de regras dispersas por um modelo mais integrado.


Os desafios do Comitê Gestor

A importância institucional do Comitê também impõe grandes responsabilidades.


Entre seus principais desafios estão:

  • preservar o equilíbrio entre Estados e Municípios;

  • assegurar transparência nas decisões;

  • garantir segurança jurídica;

  • evitar excesso de burocracia;

  • manter estabilidade regulatória;

  • administrar um sistema tributário extremamente complexo.


Seu desempenho será determinante para o sucesso da Reforma Tributária.


Uma nova etapa do federalismo fiscal

A criação do Comitê Gestor inaugura um modelo cooperativo inédito.


Estados e Municípios permanecem titulares das receitas, mas passam a compartilhar sua administração.


Mais do que uma alteração tributária, trata-se de uma transformação institucional que poderá redefinir a relação entre os entes federativos.


Conclusão

A Reforma Tributária não criou apenas novos tributos.


Criou uma nova forma de administrar a tributação sobre o consumo.


O Comitê Gestor do IBS poderá tornar-se uma das instituições mais relevantes do Direito Tributário brasileiro.


Seu êxito dependerá de governança eficiente, transparência, tecnologia e respeito ao pacto federativo.


Maria Cristina Neubern Prado

Advogada - Neubern Advocacia

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