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STJ reafirma: sócio não responde por dívida tributária sem prova de irregularidade

  • 13 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de mar.


A responsabilidade tributária dos sócios é tema frequentemente discutido em execuções fiscais. Em regra, a empresa possui personalidade jurídica própria e responde por suas obrigações com seu próprio patrimônio.


Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça reafirmou entendimento consolidado no sentido de que o simples inadimplemento de tributo pela empresa não é suficiente para responsabilizar os sócios.


A decisão reforça a autonomia patrimonial da pessoa jurídica e estabelece limites importantes ao redirecionamento da execução fiscal.


O que é o redirecionamento da execução fiscal

Quando a empresa não paga um tributo inscrito em dívida ativa, a Fazenda Pública pode ajuizar execução fiscal para cobrar o débito.


Em determinadas situações, a execução pode ser redirecionada aos sócios ou administradores da empresa. No entanto, essa medida exige a presença de requisitos legais específicos.


O que diz o Código Tributário Nacional

O artigo 135 do Código Tributário Nacional prevê a responsabilidade pessoal de administradores quando há prática de atos com:

  • excesso de poderes

  • infração à lei

  • violação do contrato social ou estatuto

Essas hipóteses demonstram a necessidade de comprovação de conduta irregular do administrador.


Entendimento do Superior Tribunal de Justiça

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem reiterado que o mero inadimplemento tributário não autoriza o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio.


Para que isso ocorra, é necessária prova concreta de irregularidade na gestão da empresa.


Entre as situações que podem justificar a responsabilização estão:

  • dissolução irregular da empresa

  • fraude ou simulação

  • ocultação de patrimônio

  • atos praticados com violação da lei ou do contrato social

Sem essa demonstração, o patrimônio pessoal do sócio não pode ser atingido.


Importância da decisão

Esse entendimento tem grande relevância para empresários e administradores, pois reafirma a proteção da autonomia patrimonial da pessoa jurídica.


Ao exigir prova de conduta irregular, a jurisprudência impede que sócios sejam responsabilizados automaticamente por dívidas tributárias da empresa.


A decisão contribui para maior segurança jurídica nas relações empresariais.


Conclusão

A reafirmação desse entendimento pelo Superior Tribunal de Justiça fortalece o princípio da separação patrimonial entre empresa e sócios.


O redirecionamento da execução fiscal somente é possível quando comprovada conduta irregular do administrador, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional.


A correta gestão empresarial e o cumprimento das obrigações legais continuam sendo os principais instrumentos de prevenção de riscos patrimoniais.


Maria Cristina Neubern Prado Advogada – Neubern Advocacia

O escritório atua nas áreas de Direito Tributário e Direito Administrativo e também elabora pareceres jurídicos especializados em matéria tributária.

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